sábado, 2 de janeiro de 2010

POEMA DE NATAL EM WIKIPÉDIA POÉTICA OTTO BAYER

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I
HISTÓRIAS
Uma história está conexa com várias histórias estórias vitórias glórias e "passifloras"
é um conglomerado de galáxias em signos com versos imersos em universos inversos
uma enxameação de abelhas atarefadas ocupadas
na busca de uma colmeia para a rainha da paz
que também convoca a guerra no ferrão da abelha operária
e a paz desenhada no paladar do mel mais precioso que o ouro e as gemas
porque o mel é um dos sete espíritos da vida
uma das três almas que a natureza prodigaliza
enquanto houver vegetal e sol e rol de insetos rodando por flor em flor que for
e os bichos todos atenderem à convocação de coração na vocação das águas da chuva
pois as águas da chuva é a voz do profeta que clama pelas ervas no deserto
e faz o levante do sol girar ao contrário no levante das cabeças das ervas da terra
como se fora um sol oriundo dos subterrâneos
onde silencio corre e nada no ato do peixe um aquífero de longo curso capitão
ali abaixo das areias onde antes havia um deserto seco e árido ávido do elixir da vida
que vem nas asas das águas da chuva com sua flexibilidade rebelde
que água é ente insurreto e faz revolução e evoluções hidratadas
levando a giros em espirais que rodam em redemoinhos
ocasionados pelo vigoroso batismo anual do profeta João Batista
- o João-de-barro suscitado às dunas de areias do deserto sequioso de água

chamado à hora do riacho para o batismo sincrético da vida pululando da Bíblia ao Corão
dos sinais hebraicos aramaicos gregos aos signos árabes na beleza em arabesco
- São João Batista escreveu com os pés em signos arábicos hebraicos aramaicos
pisou a serpente em versos no grego da Septuaginta
e o latim da Vulgata
e enfim a beleza do maior escrito em canto silente no Alcorão

São João Batista foi o maior dos profetas - andarilho em signos
Esse profeta cujo trânsito na vida ficou registrado como pés na areia
rastos indeléveis de alguém que não passa impunemente pela areia
- que escreve e desenha
do profeta que andou sobre os signos do Tanakh e do Alcorão
atravessando regiões e religiões sob as línguas de fogo que registraram seus pés
na longa praia da fama impressa na areia da Nebulosa Relógio de Areia suspensa no céu
e as brancas poeiras ou o pó de cor ambígua à mixórdia do solo para ervas em violinos
- o profeta que ofuscou constelações a caminho mas viveu simples e ao rés-do-chão
renovando o renôvo da vida ao aspergir a água que desce em bênção de sua mão
sobre as cabeças coroadas com flores na resposta das ervas emergindo do fundo da terra
tal qual o ovo saindo do ouro líquido de vida do ovo de onde sai o pintainho e passarinho
e a criança saindo da madre para a luz na história de Jesus Cristo e Maomé e Moisés
- que viver é sempre um ato de Deus/Alá/Cristo - o Cristo em nós
- ato de fato escrito com anjo em livro
- mensageiro que traz a boa nova
em forma de canto belo e silente de Alá
"o clemente, o misericordioso"
cujo canto santo sai na voz do profeta Maomé
ou pelos profetas de Javé na Tanakh
ou no Evangelho do anjo novo em Cristo
( o Cristo em nós pecadores)
- o Cristo filho de Deus em terra
em terra firme no Cristo Redentor

O cristo em terra firme
- e água!, ó peixes!!!
peixes do Cristo que encheram os cestos do cristianismo
ó Cristo - Jesus Cristo!

II
O AMOR
O natal é destas festas antigas das águas
que já existia antes do antigo Egito do faraó Ramsés I
e foi detectada e exprimida pela primeira vez no universo dos versos bíblicos
na história estória de Moisés que veio nas águas
história natural do homem que é quase nada mais que água
corpo de água - lençol freático : Grande Aquífero Guarani
- o homem : esse Moisés d'água
Adão do barro mais molhado de água
do que arraigado à terra ao modo erva de ser
O homem : Moisés-Adão
- o ser anfíbio das águas
o ser ambíguo no homem

Nas águas batizado com a vida
pelo santo profeta : voz que clamou às ervinhas no deserto
até que elas colocaram a cabeça para fora das areias
- cabeças sobre as areias
e sob o céu : violinista azul em delírio de lírio
III
Moisés e João Batista não somente simbolizam mas são as águas que clamam pela vida
e constroem plasticamente a vida para além da transcendência de Kant ou Picasso
- dois filósofos que expressaram com aparato técnico diferente
as mais simples e complexas formas e estruturas pensadas pela gota de água
que veio do oceano e desaguou no pensamento deles
dando tanta vida de insetos e beleza e verdade à ideía única que moldou
todo o labor mental do cérebro e do corpo deles

Moisés é o grande anfíbio
é o corpo anfíbio
o corpo de todo anfíbio
no sentido ou vetor da idéia de Platão
João Batista é a água
- a água que abençoa a vida com o sopro de fertilidade e perpetuação
nos campos cultivados com flores e frutos
na floresta virgem
verde virgem
e no ventre da virgem
assim individuada
humana e diva
IV
Na dulcíssima história-estória do menino Jesus
então embalado nos braços da carmelita descalça
ouvindo a voz suave da doutora das santas :
Santa Terezinha do Menino Jesus
essa monja carmelita que é o melhor mel de flor de laranjeira do amor de Deus
mãe do silêncio no claustro e no ergástulo do condenado
que acalentou a estória de Jesus nos braços da história dela e nossa
até criar a história de todos no natal de Cristo - o Cristo em nosso berço
legando ao limbo e ao Hades a estória de Jesus, o Cristo canônico ou apócrifo
que Jesus Cristo tem esses dois narrados em signos
outros inúmeros Jesus Cristos em figuras imagens pinturas esculturas
e mais outros Jesus Cristos em teorias e teologias fundadas em estórias e histórias

Nada foi óbice , portanto,
para a existência dúplice de Jesus, o Cristo
em Jesus, o Cristo apócrifo
e Jesus , o Cristo Cristo canônico
- um Jesus, o Cristo de Nazaré
outro Jeus, o Cristo sem Nazaré

Todavia a história real de Jesus Cristo é a nossa história e estória em Gauguim
pois vivemos todos individual e coletivamente a história de Jesus
contamos narramos em nós e nossos filhos e netos a história de Jesus Cristo
arrancada à erva má e sem raiz da "estória" que não existe como palavra sequer
sendo um "inútil apêndice" na língua portuguesa com certeza da tereza e de Tereza
pelas quais escapo da prisão do mundo social no corpo de dervixe e eremita que sou
e pelo corpo de social e individual de Jesus, o Cristo que somos quer queiramos ou não
- o natal nasce em nós
e não nós no natal


No Egito do deus Osíris também nascemos para a história natural contada e cantada
que este deus do Egito foi um dos primeiros Jesus, o Cristo
e, consequentemente, um dos primeiros eu e tu e nós todos fetos do mito
filhos e netos e bisnetos e tataranetos da história de Osíris e Jesus, o Cristo
nascidos em Jesus, o Cristo filho de Deus em Belém da Judéia sob estrela da noite
( uma que seja! já vale a nebulosa vida de Andrômeda que temos! )
e de Belém-Belém indo ( todos nós, os Jesus! - Jesuses!) - rei em fuga para o Egito
onde outrora batia no solo e nas águas com vigor o cajado de Moisés
porquanto o natal de Moisés já vinha em águas e vinho
e pão da promissão - pão ázimo
originário corpo de Jeus, o Cristo - nosso pai e corpo e sangue anterior na história natural
pois que somos todos Cristos em corpo e mente não só na hóstia sagrada
mas no santo dos santos
mesmo peregrinos nômades e estrangeiros
na terra que nos evocou pela voz da promissão divina
onde judeus de Deus escrevemos a história natural da migração dos anfíbios e insetos
com caracteres do sobrenatural onde imprimimos profetas vivos
com o sangue na terra em vocação ouvida pelo povo dos profetas
que nos chamou do Egito - cativeiro na infância
de Jesus, o Cristo e do povo de Deus
que ouviu seu profeta chamando do deserto
- pelo vento em ondas eletromagnéticas
- vento em redemoinhos na tempestade de areia
que cobre a cabeça do árabe e do beduíno
- mas grita ao povo na letra da lei
e do profeta que canta :
" Do Egito chamei meu filho "
- para os braços de seu avô Osíris!
VI

- Ai! Jesus que cruz truz na luz de Belém!
luz truz em cruz difusa confusa Aretusa e musa - que musa! na música de Bach
e da pintura e poesia européia
saindo pelo ladrão na arquitetura e escultura
- porque nunca houve depois de Cristo!!!

Após a história de Jesus, o Cristo ,
só houve depois de Jeus, o Cristo e antes de Cristo! :
e a estória e a história acabou no olvido
que medrou no natal depois de Cristo
com martelo e bigorna
- para o ouvido
em circunvoluções harmônicas com o Órgão de Bach
em contraponto de fuga
VII
Na barca de água do anfíbio Moisés
símbolo no ato do homem e espírito natural de fato
cuja voz retumbante de trovão e o risco do relâmpago na regra negra da noite
com açoite de vento no tempo da tempestade
que ainda ulula na bula papal contra os templários
e sopra as asas dando vida ao vôo dos insetos
os quais vão no vão das águas remando com asas sob chuvas torrenciais
trazendo a mariposa e a térmita e as formigas aladas à querubim
adicionadas a uma caterva de insetos batizados que vêm com piloto anfíbio
no risco arisco e corisco de partirem frágeis asas nas bátegas da tempestade

- Tempestade cuja face está reflexa no céu pelo espelho dos raios que lampejam
e no seu lampejo sua lâmpada lamparina de gênio ilumina o reflexo e o espelho
que reconstituem o espectro de Narciso
agora se afogando em beleza nas águas da chuva
em corpo e alma de narcisistas formigas térmitas sapos rãs
e besouros saindo de vaga-lumes com farol
e sobretudo natural de coleóptero
( Seria Narciso Jesus, o Cristo ao espelho?!)
VIII
A água benta e santa é a energia "Moisés" guiando o piloto do inseto até meu neto!
que a água da placenta também aumenta o mapa da vida
é a força motriz na indústria da chuva que pinga ou espoca gotas nas telhas
tangente à tangente matemática que faz o vento moinho em redemoinho
com o capitão de longo curso ao timão das térmitas à borrasca
navegando no ar em bergantín oblongo em longo curso pelos pélagos e lagos
dos magos e vagos afagos em fatos históricos sobre o rei do Congo
até pousar e aninhar em novo lar para a construir sem ruir tugir ou mugir
na fase além mar do povo sem par de asas partidas na partida de ida da vida lá
gente de coração e alma partida na partida e na chegada à hora do ângelus
ou na regra negra na treta da noite com capuz no caput
capeta embuçado encapuzado na lei do rei el rei de Portugal e Algarve
noite chorosa de "sereno" orvalho que mexe os ponteiros da madrugada até aurora
de um povo que não veio de anjo na mariposa do navio negreiro de Castro Alves
nem de demônio porque diabo algum pode ser impresso nas asas da borboleta amarela
que aquarela por esses campos de flor na cor bela daquela mariposa que nunca pousa
na água que veio viajando de longe até formar com terra santa e prometida
o corpo do menino que veio na canção tangida ao ritmo de leis mosaicas e batistas
impressas no coração da natureza e do homem que sabe à profecia
- o poeta com verso na vida
que o único verso do poeta é o universo emaranhado na vida
que sem vida nem haveria universo na forma de ser
não existiria por dentro no verso ao anverso do universo
o poeta que faz o ser
algo maior que o universo
pois o ser é infinito matemático
e não está na cadeia do tempo e dos fenômenos
- pois o universo cabe no ser construído na existência do homem
porém o homem transcende o universo
pelo anverso do verso matemático
que fala a língua natural da inteligência de poesia
que caracteriza o ser humano
arquitetado e construído pelo poeta e pelo filósofo
duas catedrais no complexo do ser do homem
IX
O natal de Jesus, o Cristo, à luz do meu neto em Rembrandt
que é a estrela de Belém neste meu natal
e a a noite feliz de cada vida iluminando o canto ou a canção ou o poema
ou a música dos seres presentes e os entes em penduricalhos na árvore de natal
que canta com luz e toca com o violino de Jesus, o Cristo, a noite que eu fiz feliz porque quis
porque compus a noite feliz para Jesus, o Cristo, tocar com o seu violino azul celeste
ao ritmo do sorriso e os olhos de luz do bem-nascido menino
que nos nasceu depois de tanta noite em piche e breu ateu

O natal de menino Jesus, o Cristo, em Giotto para meu neto
narra sempre a mesma história inenarrável :
Uma grande estrela iluminando a noite de céu a céu
um presépio lindo onde um rei acabou de nascer meu neto
tal qual antes nascera meu pai, eu e meu filho
todos reis meninos e homens
não importa a força de Império cruel exercida pelo Poder Executivo da Besta coativa
com Sansão com longos cabelos e braços fortes fazendo a lei policial dos juízes

Outrossim pastores vêm saldar e reverenciar o pequenino rei
anjos perfumando a noite com paz também vem a Belém
( que hoje Belém é aqui neste presépio de paz de São Francisco de Assis
meu pai seráfico e anjo guardião contra o mal da estrela do Cão Maior
sempre rutilante no céu mental e moral dos homens de bem e do mal )
Por fim três reis magos vêm presentear o menino com ouro, olíbano e mirra
presentes para reis como o menino bem-nascido

Porém, e o mais belo Kandinsky ,
é que de um lado e do outro do menino
ladeando o menino no presépio para visitas
o pai e a mãe do menino
Maria e José
olhando meu neto
como olhou meu pai para mim
e eu ao meu primogênito
e agora olho o neto
e me recordo da eterna emoção de Maria e José!
X
No berço do meu filho a natividade do meu neto
que chora com saudade do ventre materno
quando acorda e se sente sozinho
passarinho sem ninho-mãe
com a companhia diuturna e inseparável da mãe
quando estava abrigado no ventre
em amplexo pleno de amor com a mulher
longe da solidão que o nascimento enceta
- seria o nascimento o naufrágio de Robinson Crusoé?!
ou a terrível queda do anjo
que cai na água da terra
sem asas ou pára-quedas
ao nascer e ao morrer
levante e ocaso
- natal de Cristo
ou cruz de Jesus

O corpo humano é essa queda do anjo Chagall
- essa queda em terra e água
queda no corpo
que leva o homem
do levante ao poente
XI
O choro da criança está no canto do anjo músico de Fra Angelico
é o primeiro cantar dos cantares do ser humano
encetado na manjedoura ou no berço
ou na apreensão elegíaca de leito de hospital
à mesa de cirurgia em parto cesariano

O canto do bebê chama a mãe
que não tarda
que mãe não tarda
não anoitece ao acender ou apagão do lampião da lua e estrelas
- mãe amanhece ao lado
com os olhos postados à flor da barra da alva

Às vezes o canto do pequenino bardo
imprime um desespero frenético à voz
conforme a necessidade premente de se comunicar
- de comunicar ao seu público-alvo suas carências comezinhas
ou a dor a fome a angústia repentina que o acomete

Outrossim sim sincopada ode canta
na alegria expressa no sorriso tranquilo
mantra do tamanho da serenidade de Buda meditando
( um recém-nascido semelha o Buda
na serenidade iluminada de suas feições
e na pureza e paz emanada de sua aura ou espectro eletromagnético
- aura ou aureóla que também circunda o corpo da virgem e da mãe
observado em todas as obras-primas da pintura ocidental
embora os médicos tenham teorizado essa beleza virginal da mãe
com o estúpido e contextualizado conceito de "estado puerperal"
para dizer algo de horrível gosto teórico
colocando seu travo amargo pedante e arrogante
em lugar dos versos melodiosos da poesia da Bíblia e Corão
que cantaram e louvaram a verdade na beleza extrema
daquele momento de luz
no qual o recém-nascido se constitui em um ser supremo em si
- em si bemol maior em concertos vitais de Mozart
- o Mozart arquivado na memória natural em gen )

O Neném vem e canta-que-canta na cigarra que canta em sua voz
para comunicar-se com a comunidade onde está inserido
agora que é um peixe fora d'água
- peixe que saltou para fora da água da placenta
acima do cimo da lâmina d'água do rio São Francisco de Assis

O canto do bebê chama a mãe
aflora a vocação de mãe
num arrulho de pomba
- com que mais tarde evocará a amada
XII
A criança recém-nascida tem um espectro eletromagnético puro
comparável somente com o espectro eletromagnético da virgem
da virgem que será mãe
( a aura da virgem está sempre evidenciada
na auréola sobre a cabeça das virgens nas obras de arte ocidentais
que, entretanto, não percebeu que a aureola
na perspectiva da conhecimento do espectro eletromagnético
como apanágio dos vivos
porquanto Cristo morto é apresentado aureolado por Fra Angelico
consoante o contexto da ciência de meio-olho
dos artistas mergulhados nas águas da teologia medieval )

O espectro eletromagnético ou aureola da criança bem-nascida sem o pecado medieval
tem tamanha capacidade de comunicação com os circunstantes
com a mãe e familiares próximos em Cristo
mormente com a mãe
referência-mor de amor primevo e arquetípico
O espectro eletromagnético tem a função precípua ( pua - puah! )
durante toda a vida humana e animal
de informar sem palavra frase ou oração
tudo sobre a saúde ou doença do emissor
bem como serve de meio de comunicação à distância
ou para o surdo-mudo ou cego no ego também
e mesmo a um ser humano em estado comatoso
na coma do cometa de hospital sem Cristo
( melhor hospital com Cristo para a vida - eterna )
porque ainda em coma profundo o ser humano continua a se comunicar
tanto como emissor quanto como receptor de mensagens angélicas
graças a luz emitida pela aura
que emite todos os cantares em versos musicais
de poetas em prosa com arcanjos com banjos roubado a anjos

A aureola é o ouro da vida
é a aura ou espectro eletromagnético
que nos circunda protegendo a alma
- A aura é a alma
que no morto se evapora
XIII
Os nobres místicos denominam de aura ao espectro eletromagnético
o que é tão-só uma questão tão pequena de terminologia no logos - logo no logos
e que se comunica e cintila em cada idade e pessoa em forma e intensidade diferente
inclusive comunicando doença sentimento ou morte
- o morto não emite aura ou espectro eletromagnético
conquanto o adjetivo "espectral" esteja estreitamente vinculado a fantasmas

A aura é a alma na vida
anuncia à virgem o espírito santo
e ao místico o espírito do diabo
os quais convivem na simbiose do nó que faz o "nós
o que somos no abismo da tensão de bem e mal

O cadáver é tão-só um corpo solitário
separado da santa auréola da vida
que aparta os são dos malsãos
os mortos dos vivos
XIV
O recém-nascido dorme e dorme muito
Também em todas as outras idades dormimos
para retornar como feto ao ventre materno
na travessia de eterno retorno ao cordão umbilical
agarrados ao sonho durante o sonho
que nos acolhe lá dentro como uma nova e velha mãe
Oh! minha mãe! - manhã no meu primeiro olhar
- no sono estou como em seu ventre materno
feliz e fetal
XV
Meu neto é uma mariposa uma térmita com asas
- uma mariposa que chegou enxuta da chuva
que atravessou todas as gotas de chuva em longa viagem
ao encontro com do meu futuro
do futuro dele
- futuro que só existe no relógio que fabrica meu novo tempo no corpo dele

Meu neto é um anjo caído - de Salvador Dali
um anjo caído no corpo
( corpo é terra firme
mas muito mais - mais matemático mais :
corpo é água viva
- água viva! )

Mas mais ainda - é essa criança que desponta no horizonte azul-Kandinsky :
é minha vida esticada
minha vida estendida no tempo
minha vida à frente do que conta o tempo
em seu avarento relógio de areia
que retira o pó do corpo para a ampulheta
levando-o ao anjo desidratado caído na poeira
a morte em pó

Meu neto é o novo anjo em pé
outro Evangelho que vem para a vida
com o pó do corpo hidratado
- minha vida com mais um século de garantia
- toda a minha vida !
XVI
Enquanto houver a natureza de Gauguim que me sustem em pé com bactérias
embora queira me devorar com vermes e me tirar do tempo e espaço em corpo
- meu corpo ganha outro corpo natural na queima da fênix
para navegar aventureiro pelo século fora
até que ele venha a produzir com uma mulher outro corpo para nós
que estamos na família a dinastias de vidas passadas pelos genes

Os genes são nossas coroas de reis e faraós da vida eterna
até o último rei ou faraó da dinastia do meu corpo
que é já um corpo bem antigo que vem de meu pai mãe avô avó bisavó tataravô
e vai até onde eu não sei contar senão nos anais dos fantasmas que correm
pelos corredores do castelo assombrado que é meu corpo humano
reconstruído novo no corpo humano do meu neto em flor de beleza
que há de procurar e encontrar a virgem
que nos salvará de novo
com vergônteas na árvore de natal
de um outro Jesus que virá de novo
no renovo de um novo ser


ÊXODO DE CHAGALL - ÊXODO DE CHAGALL - ÊXODO DE CHAGALL , ENQUANTO HOUVER A NATUREZA DE GAUGUN, A NATUREZA DO PINTOR E LIVRE-PENSADOR GAUGUIN, GAUGUIN EM PÉ EM BACTÉRIAS, O SER PARA LÁ DA LIBERDADE,MEU CORPO GANHA OUTRO CORPO NATURAL, OUTRO ESPAÇO NATURAL NA QUEIMA DE FÊNIX, A QUEIMA DA FÊNIX DA PRIMAVERA - A PRIMAVERA : A PRIMAVERA QUE É A FÊNIX DE FATO, DESPONTA NO HORIZONTE AZUL-KANDINSKY, O HORIZONTE AZUL NA OBRA DE KANDINSKY, ONDE MINHA VIDA ESTÁ ESTENDIDA NO TEMPO, PELO TEMPO ESTENDIDA, NO TEMPO QUE CONTA E REZA A HORA, TEMPO QUE CONTA AREIA NO RELÓGIO, AREIA NO RELÓGIO DO TEMPO, RETIRANDO AREIA DA AMPULHETA PARA O CORPO, DA VELHA AMPULHETA QUE CONTA A MORTE EM PÓ, A MORTE EM PÓ DE ANJO, DE AJO CAÍDO AO PÓ NA MORTE, O ANJO QUE SOU NO EVANGELHO, O ANJO CAÍDO NO EVANGELHO DE SALVADOR DALI. QUE SALVADOR DALI ESCREVEU UM EVANGELHO, EVANGELHO SEGUNDO SALVADOR DALI, ESCRITO PARA MEU CRISTO , O CRISTO DESIDRATADO, ANJO NO PÓ DO CRISTO DESIDRATADO, O CRISTO DESIDRATADO, O CRISTO NO NO PÓ, NO PÓ DA MORTE, O CRISTO DESIDRATADO, ANJO CAÍDO NO PÓ DA MORTE, DA MORTE QUE SOU EM PÉ NAS BACTÉRIAS, BACTÉRIAS QUE A CALCAM AO CHÃO.VOU NAVEGAR AVENTUREIRO, PELO VENTO AVENTUREIRO NAVEGAR, FICAR A DINASTIAS DE VIDAS PASSADAS EM GENES, OS GENES DAS DINASTIAS E VIDAS PASSADAS, O ANJO CAÍDO DE SALVADOR DALI NÃO É CAÍDO O ANJO DE SALVADOR DALI, CAÍDO O ANJO EM SALVADOR DALI. CORPO ANTES DE TERRA É ÁGUA : ÁGUA VIVA, ÁGUA-VIVA E NÃO SÓ TERRA. O CANTO DO BEBÊ CHAMA A MÃE, CHAMA A MÃE O CANTO DO BEBÊ. O CANTO DO BEBÊ É O CANTO QUE CHAMARÁ A AMADA : É O CANTO DO BEBÊ O CANTO PARA A AMADA FUTURA, DEPOIS DA MÃE, A MÃE-AMADA SEM COMPLEXO DE ÉDIPO, NEM ÉDIPO REI OU FREUD E EURÍPEDES JUNTOS ( JÁ PENSOU FREUD E EURÍPEDES DISCUTINDO O COMPLEXO DE ÉDIPO? : o COMPLEXO DEIXARIA DE SER DE ÉDIPO).PEQUENA QUESTÃO DE TERMINOLOGIA NO LOGOS : LOGO NO LOGOS, A QUESTÃO DE TERMINOLOGIA NO LOGOS.ARCANJOS COM BANJOS ROUBADOS A ANJOS : ANJOS E ARCANJOS TOCANDO BANJOS. O NENÉM CANTA-QUE-CANTA NA CIGARRA, NA CIGARRA DE SUA VOZ DE NENÉM QUE CANTA, POIS A CRIANÇA RECÉM-NASCIDA É UM PEIXE FORA D'ÁGUA: UM PEIXE FORA D'ÁGUA É A CRIANÇA RECÉM-NASCIDA - PEIXE QUE DEIXOU A ÁGUA DA PLACENTA : A ÁGUA NA PLACENTA DA MÃE : A ÁGUA DOCE DE MÃE E ÁGUA DE MÃE FICA ACIMA DO CIMO DA LÂMINA DA ÁGUA DOCE : ACIMA DO CIMO DA ÁGUA DOCE DE MÃE, Ó DOCE MÃE!
SIM NA SICOPADA ODE CANTA O SIM NA SINCOPADA VIDA : A VIDA É UM MANTRA, UM MANTRA DO TAMANHO DA SERENIDADE DE BUDA : MANTRA DO TAMANHO DA SERENIDADE DO BUDA. UM RECÉM-NASCIDO PARECE UM BUDA MEDITANDO, DE TÃO SERENO UM RECÉM-NASCIDO PARECE UM BUDA MEDITANDO : O RECÉM-NASCIDO É UM BUDA MEDITANDO. HÁ UM SER HUMANO SUPREMO EM SI, UM SER HUMANO SUPREMO EM SI BEMOL MAIOR - EM SI BEMOL MAIOR NOS CONCERTOS VITAIS DE MOZART - UM SI BEMOL NOS CONCERTOS VITAIS DE MOZART, DO MOZART ARQUIVADO , O MOZARD ARQUVADO NA MEMÓRIA NATURAL, MOZART NA MEMÓRIA NATURAL DO GEN, DO GEN DE MOZART ESCRITO AO NATURAL NA MÚSICA DA NATUREZA.ESTRELA MORAL E MENTAL DO CÃO MAIOR E MENOR, ESTRELA MENOR DO CÃO MAIOR E MENOR, ESTRELAS SEMPRE PRSENTES NO UNIVERSO MENTAL E MORAL - NO UNIVERSO MENTAL E MORAL A ESTRELA DO CÃO MAIOR E MENOR UMA GRANDE ESTRELA ILUMINADO A NOITE, DE CÉU A CÉU UMA GRANDE ESTRELA ILUMINADO A NOITE DE CÉU A CÉU, A NOITE DO PRESÉPIO DO MEU NETO JESUS, O CRISTO, O BELO PRESÉPIO DO MEU NETO, QUE É JESUS, O CRISTO, COMO TODOS NÓS QUE NASCEMOS UM DIA E VAMOS PARA A CRUZ NA MORTE : A MORTE NA CRUZ DA VIDA, A CRUZ DA VIDA É A MORTE. O NATAL DE JESUS, O CRISTO, À LUZ DO MEU NETO - Á LUZ DO MEU NETO O NATAL DE JESUS, O CRISTO.
KANDINSKI - OBRA DE KANDINSKY
VIRGEM E NATAL DE MARC CHAGALL - VIRGEM E NATAL DE MARC CHAGALL
CRUCIFICAÇÃO DE PICASSO - CRUCIFICAÇÃO DE PICASSO - CRUCIFICAÇÃO
PRIMEIRA SURA DO ALCORÃO - PRIMEIRA SURA DO ALCORÃO
ABAIXO : ESCRITO SAGRADO DO TANAKH - ESCRITO SAGRADO DO TANAKH
נבזה וחדל אישים איש מכאבות וידוע חלי וכמסתר פנים ממנו נבזה ולא חשבנהו
אכן חלינו הוא נשא ומכאבינו סבלם ואנחנו חשבנהו נגוע מכה אלהים ומענה והוא מחלל מפשענו מדכא מעונתינו מוסר שלומנו עליו ובחברתו נרפא־ לנו
כלנו כצאן תעינו איש לדרכו פנינו ויהוה הפגיע בו את עון כלנו נגש והוא נענה ולא יפתח־פיו כשה לטבח יובל וכרחל לפני גזזיה נאלמה ולא יפתח פיו מעצר וממשפט לקח ואת־דורו מי ישוחח כי נגזר מארץ חיים מפשע עמי נגע למו
ESCRITO SAGRADO DO TANAKH - ESCRITO SAGRADO DO TANAKH
FUGA PARA O EGITO DE MURILLO - FUFA PARA O EGITO DE MURILLO
ASCENÇÃO DE MAOMÉ - ASCENÇÃO DE MAOMÉ - ASCENÇÃO DE MAOMÉ
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O ANJO CAIU NO CORPO, O CORPO HIDRATADO ONDE CAIU O ANJO É UM CORPO E CRIANÇA RECÉM-NASCIDA : CORPO HIDRATADO. CORPO É TERRA E TERRA É ADÃO : TERRA É ADÃO; MAS CORPO É ANTES ÁGUA QUE TERRA : MAIS ÁGUA, OCEANOS, QUE TERRA : CORPO É O ANFÍBIO, O ANFÍBIO MOISÉS ( MOISÉS ERA O NOME ANTIGO DO SAPO : O MOCHE OU MOCHÊ?).MEU NETO É UMA MARIPOSA, MARIPOSA AMARELA DE BELEZA, UMA TÉRMITA A VIAJAR NA CHUVA - A VIAJAR NA CHUVA SEM MOLHAR AS ASAS DE TÉRMITA : UMA TÉRMITA, CUPIM, CUPIM, Ó CURUMIM, CURUMIM! : VEM A MIM, CURUMIM! - CUPIMCOM ASAS, ASAS. MEU NETO FABRICA O TEMPO COM MEL PARA MEU FUTURO : ELE FABRICA COM MEL O MEU TEMPO FUTURO.





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