domingo, 3 de janeiro de 2010

OTTO BAYER E O CASTELO VEGETAL DE OTTO BAYER

( Otto Bayer e o castelo vegetal de otto bayer o castelo em sistema nervoso vegetal vegetal de otto bayer no castelo vegetal de otto bayer dentro do castelo vegetal abrigado dentro de otto bayer o castelo no sistema nervoso vegetal)

Fiz na areia um castelo / que ruiu sem ruir ou ruído / Outro castelo na rocha / invocando a proteção da Virgem das Rochas / mas ele ruiu ruidosamente / ruinosamente ruiu /
Tentei na água / na libélula que voava sobre as águas / um castelo com fundação na asa da líbélula / ou na palmeira vergetal altivo / - vegetal invadido por um batalhão de vespas /( Fortaleza tomada por exército de vespas / marimbondos ao gongo do Congo Tupi ) /
Tentei ainda por a fundação / no corpo da mulher amada / assim como Cristo fez com a Igreja / Mas tudo virou pó / e foi soprado pelo vento vagabundo / errabundo vento que erra pelas folhas das palmeiras / e pelas asas da mariposa amarela / de alelo no amarelo borboleta /
Sem planta de pé no chão / sem raiz presa ao solo / sem mãos de ervas segurando a terra vegetal / fugi para a terra roxa / onde plantei uma floresta de coníferas / tangida por abelhas polinizadoras / Porém desceu um arcanjo num relâmpago / que a transformou a floresta de coníferas em cinzas / - cinzas de céus cinzas na floresta de coníferas /
Busquei terra negra / onde fui semeando vegetais / e chamando animais / fazendo da terra uma arca de terra / para nunca navegar /

Também ali edifiquei outro sonho na alvenaria / que a terra tragou / as águas levaram na enxurrada / e o vento não deixou nem pó / antes alimentou o fogo / com milhares de diabos trabalhando no oxigênio / - diabos à oxigênio / oriundos do oxigênio /
Então corri desesperado como Jó / e pisei os céus com asas / entre arcanjo e ave / Voei sem pouso / sem rumo nem estrela de bússola / até cair num arquipélago ( ou promontório ) / na cor da cerveja ou da vodka / onde só pude viver afogado / no meu desespero sem trégua / no meu chão de ermitão / longe do mal dos homens / que não conhecem mais a terra / senão por cartas náuticas / que descrevem tesouros / e não terras vegetais com ervas / daninhas ervas que seguram o chão / e o pé no chão /
Porém há homens e homens que ainda sonham com o Eldorado / cidades de ouro / porque ignoram o carinho da terra / que em cada punhado beija com ervas / dá vida em abundância ao homem que ama os insetos / porquanto a vida vem encadeada no amor / A vida é uma teia amorosa / do caminho verde da erva ao inseto / no beijo da polinização / mais belo beijo que o Beiijo de Klimt / ou Romeu e Julieta em Shakespeare / e vida fora de Shakespeare /
A vida só é possível enquanto existirem flores e frutos e árvores / formas herbáceas e arbustivas / miríades de insetos voando e o chão / e animais caçando ou pastando / aracnídeos anfíbios baleias / vieiras camarões / árvores da vida / - que a vida é antes de tudo um vegetal /

- no princípío foi o vegetal / com o vegetal a vida nasceu / medrou e floresceu /
Ver um escaravelho ou uma borboleta voando ante seus olhos / cada um com seu jeito de voar / de pilotar a vida /com seu barulho e modo característico ao mover as asas / sua forma de asas e corpo / cada um com sua inteligência de vôo e vida / é verificar com absoluta ciência / que a vida ainda tem esses verdadeiros tesouros naturais / ocultos pela natureza aos olhos gulosos dos homens tolos / dentro dos olhos misericordiosos de Deus /

Basta fitar fundo nos olhos de Deus /- olhos que estão atrás do véu da natureza / para abrir o tesouro do olhar / - e olhar dentro da beleza e da sabedoria / derradiero refúgio / castelo vegetal sem ruído e sem ruína / pois o vegetal vai sempre se levantar em erva / depois de qualquer hecatombe /

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